Síndico Profissional: o que é e como trabalha?

O síndico é uma função extremamente importante em um condomínio. Sem ele, é caos na certa. Todavia, nem todo mundo tem conhecimento suficiente para atuar na área ou interesse para assumir a responsabilidade. É aí que entra o síndico profissional.

A atuação tem ganhado bastante destaque ultimamente, mas você sabe o que faz um síndico profissional? E ainda: você sabe quando é indicado o condomínio investir em um síndico profissional?

Nesta publicação vamos explicar o que é um síndico profissional, quais são os seus deveres e obrigações com o condomínio e esclarecer algumas dúvidas recorrentes sobre o assunto. Vamos lá?

O que é um síndico profissional?

Um síndico profissional é uma pessoa contratada pelo condomínio para exercer a função de síndico do local. Ao contrário do síndico tradicional, o vínculo desse trabalhador com o condomínio é focado na parte profissional. Em geral, ele não é morador e nem proprietário de um imóvel no empreendimento.

As obrigações de um síndico profissional são as mesmas de um síndico morador. É responsabilidade dele:

  • Administrar o condomínio;
  • Cuidar e gerenciar os fundos de reserva;
  • Lidar com as demandas dos moradores e mediar conflitos;
  • Organizar o cronograma de obras e manutenções;
  • Fiscalizar a inadimplência e as ações judiciais do condomínio;
  • Organizar as reuniões de assembleia e garantir que os moradores sejam notificados;
  • Coordenar a equipe de funcionários contratados e terceirizados;
  • Garantir a organização e preservação das áreas comuns do condomínio, como salão de festas e piscinas.

A prática é totalmente legal e começou a se popularizar após a chegada do Novo Código Civil, em 2002, pois o Artigo 1347 (Lei Federal 10.406/02) permite a contratação de um síndico profissional:

“A Assembleia poderá escolher um síndico, não condômino, para administrar o condomínio, por prazo não superior a dois anos, o qual poderá renovar-se”.

Como é o trabalho de um síndico profissional?

Síndicos profissionais podem atuar em condomínios enormes, com várias torres e centenas de moradores, e também em condomínios pequenos, onde todos se tratam pelo primeiro nome. Eles também podem trabalhar tanto em condomínios residenciais, quanto em comerciais.

Como uma espécie de trabalhador autônomo (ou freelancer), o síndico profissional geralmente atua em mais de um condomínio ao mesmo tempo, revezando-se entre os empreendimentos.

O serviço do síndico profissional se divide entre as visitas ao condomínio, que geralmente são semanais e ocorrem conforme o acordo feito na contratação, e os momentos de planejamento feitos no escritório ou casa do profissional.

A contratação de um síndico profissional ocorre igual a de um síndico morador: através de reunião e votação da assembleia. Após isso, é assinado o contrato de prestação de serviços que determina as horas e condições de trabalho, remuneração e prazo de encerramento da prestação de serviços. Segundo a lei, o prazo não pode ultrapassar dois anos, mas pode ser renovado, caso ele seja reeleito em nova reunião e votação da assembleia. O Conselho do condomínio fica responsável por coordenar e cobrar a atuação do profissional.

O valor de pagamento de um síndico profissional pode variar bastante! Como não há uma tabela com piso salarial, a remuneração deve ser estipulada levando em consideração o número de unidades do condomínio, número de visitas semanais necessárias, quantidade de áreas comuns e de lazer, tamanho da equipe de funcionários e o preço da taxa condominial. O valor pode ficar entre R$1.500 mil a R$ 4 mil mensais, podendo chegar a R$ 10 mil por mês em alguns casos.

O pagamento é feito através de Nota Fiscal, na maioria das vezes gerada a partir de MEI (CNPJ de um Microempreendedor Individual).

Quem pode ser um síndico profissional?

Síndicos profissionais são pessoas capacitadas e qualificadas para atender as demandas de um condomínio. Devem ter força de vontade, estar sempre em busca de novas formas de melhorar a administração do empreendimento e deixar a vida dos moradores ainda mais agradável.

O síndico profissional deve ter algumas habilidades e características específicas, como:

  • Saber lidar com pessoas e manter um bom relacionamento com moradores e funcionários;
  • Ter empatia e calma na hora de gerenciar crises e apaziguar conflitos;
  • Possuir afinidade com áreas do conhecimento como administração, contabilidade, direito, recursos humanos e finanças.

Entretanto, existem algumas pessoas que não podem assumir o papel de síndico. Diretores de faculdades e colégios, magistrados, assim como grão mestres da Maçonaria não podem ser eleitos síndicos – tanto como profissional, quanto como moradores.

Muitos síndicos profissionais iniciam a carreira após atuar como síndico dos condomínios onde moram e pegarem gosto pela atividade. Afinal, por que não ganhar dinheiro com algo que você é bom e gosta de fazer?

Nem sempre o síndico profissional precisa se dedicar exclusivamente à função. É possível conciliar as tarefas do condomínio com carreiras que seguem horários flexíveis, com o horário comercial livre. Desta forma, a atividade como síndico profissional pode funcionar como uma fonte de renda extra.

Não existe uma faculdade ou certificação básica para ser um síndico profissional. No entanto,  algumas instituições oferecem cursos de capacitação para quem tem interesse em atuar na área.

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Qual a importância do síndico profissional?

Os síndicos profissionais suprem um problema que aflige milhares de condomínios Brasil à fora: moradores que não têm tempo, conhecimento ou até mesmo interesse de atuar como síndico.

Pense na seguinte situação, quem você escolheria para cuidar do seu negócio: uma pessoa que aceitou a tarefa por obrigação e/ou pressão dos colegas ou um profissional que estudou gestão, administração e liderança, e ainda traz consigo uma bagagem de experiências no setor?

Quando um condomínio não tem moradores motivados e/ou qualificados para atuar como síndico, vale mais a pena deixar a responsabilidade nas mãos de alguém treinado e de confiança.

Por não ter vínculo de moradia ou propriedade com o condomínio, o síndico profissional provavelmente será mais objetivo na hora de tomar decisões. Também fica mais cômodo para os condôminos tirarem dúvidas, fazerem cobranças ou críticas, sem o medo de criar um clima ruim no dia a dia do condomínio.


Síndico profissional: a profissão do futuro

Vivemos em um mundo onde há cada vez menos espaços disponíveis nos centros urbanos. Com isso, as construtoras e a população têm apostado cada vez mais na vida em condomínio.

De acordo com o Censo Demográfico de 2010, podemos estimar que existam aproximadamente 440 mil condomínios edilícios verticais (de prédios) no Brasil. Só na cidade de São Paulo, é calculado que uma em cada três pessoas viva em um desses conjuntos habitacionais – e esse número deve apenas aumentar.

Com o crescimento da população que vive em condomínios, se torna cada vez mais urgente a existência de profissionais qualificados para atuar como síndicos.

O aumento do desemprego no país também influencia nessa necessidade de se reinventar profissionalmente – e sai na frente quem está disposto a inovar na carreira. A incerteza do mercado de trabalho se une à liberdade para explorar novas áreas de atuação – e por que não como síndico profissional?