Sustentabilidade em Condomínios: como ser sustentável e diminuir gastos

Falar sobre sustentabilidade nas reuniões de condomínio sempre acaba sendo polêmico. Em todos os prédios, sempre existe um vizinho que acha que ser sustentável é bobagem, e outro que defende o tema com unhas e dentes. Tentar encontrar um meio termo para apaziguar os humores pode ser complicado, mas é extremamente necessário.

Sustentabilidade em condomínios não significa apenas preservar o meio ambiente, mas também melhorar a qualidade de vida dos condôminos e reduzir gastos financeiros – e, afinal, quem não gosta de economizar dinheiro?

Nesta publicação, você aprenderá tudo sobre sustentabilidade em condomínios e como você pode aplicar práticas mais sustentáveis em seu prédio. Confira:

Seja cortando uma árvore para fazer materiais de caça ou explorando um terreno para plantação, o ser humano usa a natureza para o seu benefício desde o início da vida na Terra. Antigamente, essa prática não trazia problemas visíveis, mas tudo mudou quando chegou a década de 70. A natureza passou a não conseguir se recuperar com a mesma velocidade de antes, pois o homem está explorando-a com mais rapidez.

A partir desse momento, começou a ser estudada a ideia de sustentabilidade ecológica, que nada mais é do que criar formas de conservar e manter a natureza para que ela consiga suportar o nosso desenvolvimento.

Os recursos naturais não são eternos e sem eles não temos condições de continuar crescendo economicamente. Se não criarmos hábitos sustentáveis, poderemos sofrer com desperdícios, poluição, gastos em excesso e falta de materiais no futuro.

De acordo com a ONU, quem age de forma sustentável é: “aquele que busca as necessidades presentes sem comprometer as capacidades das gerações futuras de atender suas próprias necessidades”.

Então, como podemos resumir o conceito de sustentabilidade no condomínio?

Sustentabilidade em condomínio significa preservar a natureza, melhorar a vida dos moradores, diminuir gastos financeiros e de materiais, o que acaba valorizando o imóvel

Por que meu condomínio deve ser sustentável?

Condomínios englobam uma grande quantidade de moradores. Apenas na cidade de São Paulo, é estimado que uma em cada três pessoas viva em um desses conjuntos habitacionais. Desta forma, condomínios são extremamente importantes e têm grande força na hora de fazer a diferença na comunidade.

Quando se fala de sustentabilidade, é muito importante lembrar que atitudes locais influenciam o global. Ou seja, um síndico que se preocupa com sustentabilidade no condomínio está ajudando a fazer a diferença na cidade e na vida dos condôminos – tanto na saúde, quanto no bolso.

Segundo dados da Green Building Council Brasil, entidade brasileira responsável pela certificação mundial de construções sustentáveis Liderança em Energia e Design Ambiental (LEED), prédios com políticas de sustentabilidade apresentam uma redução média de 40% no consumo de água e 20% nos custos com energia elétrica.

Ou seja, um condomínio que investe em sustentabilidade colherá frutos no futuro.

Três passos práticos para ter um condomínio sustentável

Você já deve ter ouvido que para ter um condomínio sustentável é preciso fazer grandes investimentos…

… esqueça esse mito!

Práticas sustentáveis podem ser muito simples e nem sempre precisam de muitos recursos, apenas boa vontade e um pouco de conhecimento. É possível reduzir custos e cuidar do meio ambiente sem comprometer o caixa do seu condomínio.

Nós, da TownSq, separamos três passos práticos para você colocar em ação a sustentabilidade no seu condomínio:

  • Coleta Seletiva e Reciclagem: Não existe nada pior e mais anti-higiênico do que um condomínio que não descarta corretamente o seu lixo. Se isso não é corrigido, os moradores perdem dinheiro e qualidade de vida. Como síndico, estabeleça um espaço apropriado para que seus moradores deixem o lixo, dividindo-o em categorias como metal, papel, vidro e material orgânico.

Com a Coleta Seletiva no condomínio, é possível analisar e reutilizar o que é colocado fora.

  • Materiais recicláveis podem ser vendidos, gerando uma renda a parte;
  • Cascas de frutas e ovos podem virar adubo;
  • Óleo de cozinha pode virar sabão caseiro.

Além de preservar o meio ambiente e organizar o lixo dos seus moradores, você também estará gerando uma graninha extra para o condomínio.


  • Evite desperdícios d’água com relógios: A cada ano que passa, temos menos água doce para o consumo e algumas cidades brasileiras já vêm lidando com a falta desse bem tão precioso. Uma ideia sustentável para reduzir os gastos com água no condomínio é implantar sistemas individuais, fazendo cada morador pagar pelo que consumiu. Relógios controle de consumo d’água são as ferramentas mais comuns para isso. Infelizmente, a maioria dos moradores só começa a se preocupar com banhos muito longos quando a dor chega ao próprio bolso. Essa medida pode ser muito polêmica, mas deve ser tratada em reuniões da assembleia sempre lembrando a todos a importância de cuidar da nossa água potável.
  • Use lâmpadas LED: Elas podem parecer mais caras a princípio, mas a economia que o LED proporciona compensa o gasto inicial. Por ser um tipo de lâmpada com menor consumo energético, essa troca irá reduzir cerca de 60% dos gastos com energia no seu condomínio. O LED também tem maior durabilidade quando comparado com as lâmpadas fluorescentes comuns, durando cerca de cinco anos a mais.

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Outras práticas para garantir a sustentabilidade no condomínio:

  • Abandonar os copos descartáveis – ao optar por um bebedouro com esguicho, o condomínio pode economizar até R$ 2 mil reais;
  • Instalar descargas inteligentes que variam o gasto d’água de acordo com o tipo de resíduo. Um substituto caseiro para essa tecnologia é utilizar uma garrafa PET com água dentro da caixa da descarga, economizando cerca de 2 litros;
  • No jardim, opte por plantas com menor consumo de água, como palmeiras, hibiscos, Pau-Brasil, suculentas, cactos, entre outras. Vale a pena pesquisar plantas típicas da sua região;
  • Incentivar moradores a utilizar as escadas ao invés de elevadores, especialmente os que moram nos primeiros andares. Desta forma, eles se exercitam e ainda ajudam a economizar energia;
  • Instalar caixas ou tambores para armazenar água da chuva que, após tratamento, poderá ser utilizada na limpeza, em vasos sanitários e no jardim;
  • Instalar lâmpadas com acionamento automático em áreas comuns do condomínio. Use sensores nas áreas internas e relés de fotocélulas nas áreas externas. Atenção: caso utilize lâmpadas fluorescentes, regule o tempo de funcionamento para 15 minutos, caso contrário, as lâmpadas irão queimar rapidamente;

  • Tetos solares em ambientes permitem a passagem da luz natural através do vidro, tornando desnecessário acender lâmpadas em dias de sol;
  • Na hora de pintar áreas comuns, tome cuidado para escolher tintas claras, que iluminam o ambiente e contribuam com a luz natural;
  • Implantar áreas verdes. Em caso de pouco espaço, aposte em jardins inovadores como muros e cercas vivas ou hortas verticais;
  • Dar preferência a tintas, vernizes, papéis de parede, colas e capachos com baixa emissão de compostos orgânicos, que são poluentes e muitas vezes são tóxicos e cancerígenos;
  • Faça revisões com frequência para evitar vazamentos
  • Preferir varrer as calçadas e pátios ao invés de lavá-los com mangueira;
  • Desligar um dos elevadores em horários de menor movimento (por exemplo: domingos e feriados, das 22h às 6h);
  • Economizar papel passando a comunicação interna para meios online;
  • Conversar com famílias para que não deixem as crianças apertarem todos os botões do elevador, pois a manutenção no aparelho custa caro e energia elétrica não é algo que deve ser desperdiçado;

  • Controlar pragas e insetos sem utilizar venenos e inseticidas. Você sabia que é possível utilizar a natureza para combater a própria natureza? Por exemplo, a adoção de galinhas angolanas funciona muito bem no combate a escorpiões;
  • Se possível, aposte em produção de energia limpa, como fotovoltaica, eólica, hidrelétrica e solar. Piscina com aquecimento solar também ajuda na economia a longo prazo.

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Como o síndico deve agir?

Quando o assunto é sustentabilidade, o condomínio possui um potencial imenso de educar, transformar e melhorar as pessoas. Você deve deixar claro para seus moradores que esses passos são importantes tanto para o meio ambiente, quanto para eles mesmos, podendo reduzir os custos das taxas condominiais

O síndico deve trabalhar como uma espécie de embaixador do assunto, garantindo que os Quatro Ps da implementação de práticas sustentáveis funcionem adequadamente.

Os 4 Ps são:

Passar em reunião da assembleia;

Propagar e difundir entre os moradores;

Pleitear/Cobrar as execuções;

Punir os infratores.

Deve-se abordar o tema em em circulares, reuniões da assembleia, convenções do condomínio e até mesmo através de redes sociais para garantir que todos condôminos entendam o porquê de fazer todas essas mudanças. Caso o assunto se torne motivo de briga entre moradores, o síndico deve intervir e controlar os ânimos através de comunicação clara e concisa.

Uma forma criativa de incentivar os moradores a aderir práticas sustentáveis é espalhar lembretes pelas áreas comuns do edifício com dicas simples de como economizar luz, água e papel. É uma forma simples de inspirar uma vida com mais atenção à sustentabilidade.

Lembre-se também de educar os funcionários para que aprendam a utilizar os materiais de forma consciente e sintam-se também parte de uma mudança no condomínio, na comunidade e, quem sabe, até no mundo.

Gostou do assunto? Não esquece de incluir essas regras no regimento interno do seu condomínio. Faça download gratuito do nosso modelo de regimento interno agora!